. Sintaxe à Vontade .

.  Sintaxe à Vontade  .

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

(re)conhecendo

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só as exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo. Sinto quem sou e a impressão está alojada na parte alta do cérebro, nos lábios-na língua principalmente-, na superfície dos braços e também correndo dentro, bem dentro do meu corpo, mas onde, onde mesmo, eu não sei dizer. O gosto é cinzento, um poço avermelhado, nos pedaços velhos um pouco azulado, e move-se como gelatina, vagarosamente. As vezes torna-se agudo e me fere, chocando-se comigo. Muito bem, agora pensar no céu azul, por exemplo. Mas sobretudo donde vem essa certeza de estar vivendo? Não, não passo bem. Pois ninguém se faz essas perguntas e eu...Mas é que basta silenciar para só enxergar, abaixo de todas as realidades, a única irredutível, a da existência. E abaixo de todas as dúvidas-o estudo cromático-sei que tudo é perfeito, porque seguiu de escala a escala o caminho fatal em relação a si mesmo. Nada escapa a perfeição das coisas, é essa a História de tudo.

Estou cansada agora agudamente! Vamos chorar juntos, baixinho. Por ter sofrido e continuar tão docemente. A dor cansada numa lágrima simplificada. Mas agora já é desejo de poesia, isso eu confesso, Deus. Durmamos de mãos dadas. O mundo rola e em alguma parte há cassas que não conheço. Durmamos sobre Deus e o Mistério, nave quieta e frágil flutuando sobre o mar, eis o sono.

Por que ela estava tão ardente e leve, como o que vem do fogão que se destampa?

O dia tinha sido igual aos outros e talvez daí viesse o acúmulo da vida.


Obrigada C.L., por emprestar essas preciosidades. Não saberia expressar melhor que você, tudo isso aqui, que está preso.
Obrigada por me acompanhar esses dias.
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sábado, 29 de setembro de 2007

Mundo Novo ?

"Mas a castidade significa paixão, a castidade significa neurastenia. E a paixão e a neustarenia significam instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização duradoura sem uma boa quantidade de vícios amáveis [...] Meu jovem amigo, a civilização não tem nenhuma necessidade de nobreza ou de heroísmo. Essas coisas são sintomas da incapacidade política. Numa sociedade convenientemente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade para ser nobre ou heróico. É preciso que as coisas se tornem profundamente instáveis para que tal oportunidade possa apresentar-se"


"Mas as dificuldades realçam-lhes as delícias"
"Mas há coisas vis que nobremente se suportam"
"O antro mais escuro, o lugar mais propício"
"Quando o sangue está em chamas, os juramentos mais fortes não são mais do que palha. Contém-se mais senão ..."
"Nem a doninha, nem o cavalo fechado em sua estrebaria, se atiram a ela com tão desordenado apetite. Do busto para baixo são centauros, para cima são mulheres. Para os Deuses a parte de cima, tudo o que fica abaixo pertence aos demônios; aí é o inferno, as trevas, o abismo sulfuroso, que queima, que ferve, a fetidez, a corrupção ... puah, puah, puah! Dá-me uma onça de almíscar, bom boticário, para me purificar a imaginação"
"Imprudent Strumpet!"


Óh Admirável Mundo Novo!
Óh Otelo, Hamlet, Rei Lear, Macbeth!
Óh Julietas e Romeus, Trólos e Cressildas, Cleópatras e Antônios!
Óh Sonhos de uma noite ...
Óh, A tempestade! ...
Óh, hoje (só) a lua que está cheia???

terça-feira, 18 de setembro de 2007

(Im) possível

Isso é para a gente ver que nem sempre o que sentimos que pode acontecer, realmente acontece. E que isso pode ser muito ruim ou muito bom. Depende do lado que se vê. Depende do lado que você está. Na verdade o possível é tão ou mais difícil que o impossível de acontecer, se for parar para pensar. O possível é viável, certo, óbvio de ocorrer. Por esse exato motivo, quando o possível não sai como seria óbvio de se acontecer, tudo desanda, dá um nó na sua cabeça. Ao contrário, o impossível é sempre impossível de ocorrer. Quando ocorre, ou: 1) é uma coisa tão fantásticamente impossível de acontecer que você fica igual um abestalhada sem acreditar no que aconteceu; 2) é uma coisa bizarramente impossível de acontecer que você fica igualmente abestalhada, sem acreditar que tenha acontecido.

O ponto é que escutei hoje de uma fonte nada crível, que o grande prazer da vida é fazer o impossível. Achei estúpidamente estranho escutar isso. Achei mais estúpido ainda ficar pensando acerca disso. Mas a resposta foi até que óbvia: é verdade!Minha gente, é verdade!

O impossível sempre me perseguiu. Eu que não abria meus olhos. Agora que me entreguei ao impossível, as coisas da vida tem tomado outro sentido. Um sentido mais amplo, menos medroso. Um sentido mais específico, mais corajoso.

A verdade é que essa coisa toda de ficar atrás de uma armadura e não se jogar ao desconhecido já caiu por terra faz tempo. Só que ainda não tinham me avisado sobre isso. Esse é o ponto. Avisada estou agora. Será que as coisas vão começar a andar?

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

(nova)mente!


"Desse minuto, durante o qual o mundo que o cercava dissolvia-se em nada, durante o qual Sidarta estava só como um astro no firmamento, desse minuto transido de frio e de temores, emergiu Sidarta, mais eu do que nunca, mais firme, mais concentrado. Sentiu nitidamente: aquilo fora o derradeiro tremor do despertar, o último espasmo do parto. E logo tornou a caminhar, em marcha rápida, impaciente, afastando-se da sua terra, do lar paterno, de tudo quanto jazia atrás dele."

Sidarta, Hesse Hermann


Taí uma prévia do que passarei.
Não quero prever, nem fazer apostas altas. Vai ser e tenho que conformar. Passarei e não olharei pra trás. Farei como Sidarta, nesse momento. Provar o gosto de estar consigo mesma. E somente só.
(nova)mente!!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Então ...


Anda,
Tira essa dor do peito, anda.
Despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar...

Canta,
vira dor pelo avesso.
Canta,
larga essa vida assim as tontas,
Deixa esse desenganar...

Calma,

Dê o tempo ao tempo, calma!
Alma,
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso

Então...


Mais uma fuga
Para o outro lado do Brasil
(ou do mundo, quem sabe?)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Por favor, pode me informar até quando?


Achas que não te teria feito saber que, se sofrias, eu sofria também; que se choravas, havia também lágrimas em meus olhos e que, se tu estavas na casa da escravidão e eras desprezado pelos homens, eu ergueria, com minha dor, uma casa onde acumularia , até a tua chegada, um tesouro, no qual tudo aquilo que os homens te tinham negado estaria à tua espera para te satisfazer, acrescentado cem vezes?

...


A paixão é uma mar
Parabólica
Dilatada

Estrada que dói
Encanto de flor
Labirinto

Espera de redes ...



(é uma mistura assim de Oscar Wilde com Fogo Encantado)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

O Jazz


Pensei em não colocá-lo aqui. "Muito grande", achei (mas) foi ...


Se eu te disser que faz tempo, estou mentindo. Escuto um som. Uma música. Seria um Jazz? Seria qual voz? Deixa estar... Não saber o que me agrada, me desagrada. Jogar-se ao abstrato, seria mais fácil. Se não penso, logo existo, logo vivo. Intenso. Está tudo tão calmo. Tranqüilo como um furacão. Porque deve ser feito desse jeito, tentando sofrer antecipadamente? Chove agora? Chove mesmo, de verdade? Coincidência. O jazz agora faz parte de mim. Onde estaríamos agora? Se a possibilidade existe, é melhor que a pensemos como o agora. (Com)paixão. Não entendo bem isso. Quer realmente me explicar? Não sou ingênua. Ou seria? Não sei o que sou ao certo. Pensando bem, eu sei o que não gosto. Não me deixe nessa prisão. Não me deixe não saber o que está pensando. Não me coloque de lado, como um brinquedo velho. Escuto um conselho, ao longe: “não inicie seus pensamentos com uma não”. É válido até negar, mas negue positivamente. O melhor seria clamar que gosto de me sentir livre. Que gosto de saber onde meus sentimentos estão repousando. Que gosto de me sentir viva. Sentir que não sou brinquedo. (sobre)vive(rá). A verdade sobre lançar-se a algo que não se tem um ponto de apoio, no princípio, pode ser atraente. Na verdade, é. O perigo que se corre é alto. “Mas apenas é início” pensei. Lançar-se ao inesperado, ao que se vê apenas ao longe é formidável. E quando foge ao nosso controle? E depois, quando já avistamos a margem do paraíso. Como não querer tê-lo todo? Medo. E o que antes era apenas uma aventura... Mas essas coisas de jovens... Gosto do gasto, gosto do profundo. Arrisco-me no intenso. Total. Seria pra ser tudo ou nunca mais! Devo pensar no nunca mais? A idéia parece-me até absurdo: porque não pensar num futuro? Afinal, nem o presente mais nos pertence! (Re)pára. Não tenho mais tempo de pensar no tempo. No tempo presente, nem futuro. Preciso viver. Viver o que reservaram para mim. O que eu reservo para mim. Há tanto gostar. Tanto querer. Há tantos abraços. Tantas palavras bonitas. Há tantos gestos. Há o que sei que posso e o que ainda nem sei que há de bom para se dar a outra pessoa. Tudo dentro de mim. Tudo guardado. Até quando? (In)segurança. Tenho tantas coisas para aprender. A voz dela me é estranha? Seria uma versão de alguma música antiga? Na verdade, nunca entendi muito de Jazz. Gosto de me levar pela batida do som, do ritmo. Ela vai me levando, levando...Quando percebe, já se está envolvendo, com um riso tamanho, sem aparente explicação, cantarolando, balançando o corpo, deixando correr...evaporando. Preciso voltar à escrita. Estaria eu me recordando da música? Ou isso lhe faz pensar em algo familiar? Não sei mais o que pensar. O que parecia ser facilmente possível, hoje tornou-se tremendamente cruel. Não me venha falar que já passou por isso, por favor. Não são todos os dias que passo por isso. Não são todos os dias que penso que encontrei alguém especial na minha vida. Tenho certeza que na sua não é diferente. Norah despede de mim. Eu despeço dela. Ela me diz “The distance I'm willing to go!”. Tento encontrar alguém pra me acompanhar. Será que esperei muito, (nova)mente? A sorte foi lançada! A sorte é a gente quem faz! Me acompanha?

Boa noite Jazz,

Boa noite chuva,

Obrigada pela companhia.

13 de agosto de 2007